Luiz Carlos Gonçalves - Cefet-MG


O primeiro hater do Galvão Bueno

Hoje em dia qualquer um odeia o Galvão Bueno. Não gostar do Galvão é politicamente correto. É quase pré-requisito para ser descolado. Mas muito, muito antes de odiar o Galvão ser moda, Kit já detestava o locutor da Globo. Kit foi o primeiro odiador do Galvão. Não era só ódio. Era pânico, terror; Kit era galvanofóbico. Kit se escondia debaixo da cama tremendo e chorando de medo do Galvão. Kit era o cãozinho pinscher lá de casa. Um bicho minúsculo, pretinho e metido a valente como só os pinschers sabem ser. Mas ele tinha um ponto fraco. A criptonita do Kit era o Galvão Bueno. Tardes de domingo eram o inferno para o Kit. Ele aturava a musiquinha chata do Esporte Espetacular, suportava a Turma do Didi, mas ficava tenso com o Faustão. Ele sabia que o Faustão era o prenúncio do Galvão. “Bem, amigos da Rede Globo...” essa era a senha para o terror. Kit e Galvão não se davam. Era começar o futebol e o Kit saía apavorado e se escondia debaixo da primeira cama que encontrasse. Ninguém o tirava de lá. Não, enquanto Galvão estivesse no ar.
     Mas por que Kit odiava Galvão Bueno? À época nem havia o RRRRRRonaldo! Galvão ainda poupava nossos tímpanos. Resolvemos fazer testes. Afinal, Kit jamais nos diria por que odiava Galvão. Levantamos hipóteses: Kit não odiava a TV, pois suportava até o Zorra Total e parecia ter uma quedinha pela Priscila do TV Colosso. Então Kit odiava futebol? Fácil descobrir: em vez da Globo, Band. E não é que o kit via de bom grado o Luciano do Vale? O Sílvio Luiz também não mexia com o Kit. Olho no lancêêêê.... Não era a TV, não era a Globo. Sim, Kit podia ser desses que juram que a Globo aliena e coisas do tipo. Mas não, o ódio do Kit não tinha fundamentação ideológica. Também não era o futebol. Não era o Cruzeiro, não era o Atlético nem o XV de Jaú. Foi aí, como na maior parte das grandes descobertas, que o acaso nos socorreu. Estava lá o tempo todo e nunca tínhamos percebido! É verdade que em muitas partidas o verdadeiro inimigo do Kit não dá as caras. Mas, o motivo do ódio do Kit não era o Galvão! Era o gol! Também não era exatamente o gol, eram os fogos de artifício que acompanham os gols! Então Kit não era um hater do Galvão, Kit tinha apenas medo do barulho dos fogos. E como na minha casa futebol era apenas na Globo, o pobrezinho associou a voz do Galvão aos estrondos dos foguetes. Descobrimos isso quando outro locutor gritou Gol! e o Kit correu para debaixo da cama. 
     O medo irracional do Kit, que depois morreria atropelado na Rua Pernambuco com Sete de Setembro, foi assim um dos primeiros experimentos científicos da minha vida. Descobrir por que Kit tinha medo do Galvão Bueno desencadeou em nós ainda que rusticamente, métodos científicos: hipóteses, testes, análises, refutações e comprovações. Bem antes disso, lembro do meu avô, em Carmo da Mata explicando como ele descobriu que o Manacá na verdade não dava flores de cores diferentes... Mas isso é outra história que também envolve ciência, que também envolve curiosidade e a única coisa que nos move para a frente: o querer saber.



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 19h44
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O inferno são os outros

Diferente, excêntrico, inadequado, louco. Pelo menos uma vez na vida todo mundo é enquadrado em algum nível dessa gradação. E estar inserido aí significa uma coisa: ter rompido de alguma maneira com padrões de normalidade. São várias as formas de se afrontar as ideologias que compõem o que convencionamos como  normal.

O menino veste azul; a garotinha, rosa. José trabalha na roça; Maria, na cozinha. Se não é preto, é branco, se não é bom, é mau. Aquilo que nos habituamos a chamar de normal é, na verdade, um rol de atitudes consagradas como previsíveis e aceitáveis pela tradição, pelo costume. Geralmente são formas binárias de se ver o mundo. Quem ousa explorar o universo entre o isso e o aquilo está credenciado a ganhar o rótulo de “anormal”.

Muitos desses tabus já foram ou ainda são chancelados pelo Estado. É bom lembrar que escravizar já foi legal. Negar direitos políticos a mulheres, também. Ainda hoje, lutar pelos homossexuais, por exemplo, é um ato de extrema loucura e, em algumas culturas, punível com pena de morte. Retirar o carimbo de “anormal” das mãos do Estado, da Igreja e de qualquer outro poder estabelecido é um passo para combater o rótulo.

É paradoxal. O ser humano é inteligente, criativo. Mas encontra amarras em normas e costumes que ele mesmo cria. Nosso parâmetro é o outro, que imaginamos estar sempre segurando uma camisa de força sob medida para os nossos ímpetos. A verdade é que o conceito de normalidade é a medida invisível e tênue que ao mesmo tempo em que aprisiona, serve de ponte entre o que somos e o que podemos ser.



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 23h48
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Deixem Bolsonaro em paz

Pululam na internet manifestos que pedem para “livrar o Brasil de Bolsonaro”. Concordo que as opiniões do deputado irritam de tão superficiais e distantes do raciocínio lógico. Mas estrategicamente, não considero que cassar seu mandato seja a solução mais inteligente. Há anos, os gays buscam seu herói, o seu zumbi dos Palmares que sirva de bandeira em sua luta contra a homofobia. Eis que surge não um herói, mas um anti-herói, um deputado macunaimicamente talhado à função e querem se livrar dele? Não, ao contrário do que se pensa no calor da ira, Bolsonaro cumpre um importante papel na guerra pelos direitos civis de negros e homossexuais. Listei abaixo alguns argumentos contra a cassação do deputado falastrão:

 

1. Bolsonaro não nos representa, mas representa alguém. Se formos cassar todos os  parlamentares com opiniões contrárias às nossas é melhor fechar o Parlamento.

2. Não existe no país uma legislação anti-homofobia, pois tal atitude não é criminalizada.

3. Ainda que se usem os comentários dele teoricamente ofensivos aos negros para incriminá-lo, dificilmente sua fala seria caracterizada como racismo, pois a rigor não  cerceia direitos ou impede a mobilidade dos supostos ofendidos. No máximo seria apologia  ao preconceito ou perjúrio. Ele sairia dessa com uma simples reprimenda e os que pediram  sua cabeça sairiam como anti-democráticos.

4. A saída, portanto, seria uma punição por falta de decoro. Mas ainda acho que Bolsonaro é mais útil à luta contra o preconceito como o grilo-falante dos preconceituosos  enrustidos. Enquanto ele tiver voz, os defensores da diversidade e da tolerância terão espaço para proclamar sua bandeira. Calando-se Bolsonaro, todos seremos também calados  pelo constrangedor e respeitoso silêncio dos politicamente corretos. Silêncio que sufoca  os gritos daqueles que apanham e morrem nas esquinas de São Paulo ou em qualquer outro  rincão perdido deste hipócrita país.

5. Deixem Bolsonaro em paz. E que ele fale cada vez mais sem saber que defende aqueles que pensa condenar. É um idiota útil.



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 13h47
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Ah, bom.

             Ao ser perguntado pela cantora Preta Gil sobre qual seria sua reação se seu filho namorasse uma negra, o deputado federal Jair Bolsonaro respondeu que não corre esse risco porque o filho não seria “promíscuo”. A pérola foi dita no programa CQC, da Bandeirantes, na última segunda-feira e causou revolta. Nesta terça já se acumulam ações de colegas do deputado, agências de defesa dos direitos humanos e até da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pedindo explicações.

E eis que o deputado se explicou à Agência Folha: “Eu entendi que a pergunta era sobre meu filho namorar gays e não uma negra e ser gay é promiscuidade”, disse Bolsonaro. Ah, bom. Ou seja, ele acha que mudando o destinatário da ofensa está tudo bem. E pior que está porque no Brasil a luta pelo respeito aos homossexuais ainda está em um patamar muito inferior àquela pela defesa dos direitos de negros ou mulheres, por exemplo. É bem possível que a culpa do deputado seja atenuada. Isso porque ainda é comum no Brasil a defesa aberta de que homossexuais sejam promíscuos, rótulo que no passado já fora dado aos negros, tidos como devassos e hiperativos sexualmente, antes de se tornar politicamente incorreto rotulá-los do que quer que seja.

De fato, o deputado já sofreu 20 processos, a maioria, se não todos, devido a seus ataques a homossexuais. Saiu praticamente ileso, com apenas uma única e singela advertência em um desses casos. É por isso que é importante o posicionamento de Preta Gil, que disse que vai manter o propósito de processar Bolsonaro mesmo que ele tenha se referido aos gays e não aos negros: “Irei até o fim contra esse deputado racista, homofóbico, conto com o apoio de vocês”, declarou à Folha de S. Paulo. Bem que Preta Gil podia abraçar essa cruzada de fato. Mas que não espere apoios, pois afinal, ele se referia a homossexuais e agredir homossexuais no Brasil, pode.



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 21h38
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O que pensam as mulheres evoluídas

“Pensem comigo: mulher solta pêlo, faz xixi no chão e eventualmente até baba. Praticamente uma cadela! Por isso, meu amigo, você que é um ser humano superior e evoluído, tem de adestrar a sua mulher pra que ela se comporte direito! Por exemplo: se ela pegar o balde  e te ajudar a limpar a casa, o banheiro e ainda lavar as roupas, dá bainho nela, faz carinho, deixa dormir na sua cama. Agora, pisou na bola,  é jornalada na fuça, porque comigo é assim!”

Absurdo esse depoimento? Choca? Já está pensando em procurar o número da dona Maria da Penha na lista telefônica? Mas e se eu disser que esse texto está em todas as TVs em horário nobre? Sim, só que, aí vem o detalhe importante, troque a palavra “mulher” por “homem”, “cadela” por “cachorro”, “amigo” por “amiga”...  Trata-se de um comercial da Bombril (http://migre.me/44J2F), em que mulheres vestidas de terninhos - no caso, a magda Marisa Orth - espinafram os homens com termos que, se dirigidos a elas, seriam chamados de vulgares, machistas, ofensivos, peconceituosos. A campanha se chama Mulheres Evoluídas. O mais interessante é que as tais mulheres evoluídas, na verdade, atestam o clichê de que lugar de mulher é em casa, ajoelhada fazendo faxina! Uma imagem distorcida, claro, que não devia ficar bem nem como quadro do Zorra Total.

É claro que a Bombril está pouco se lixando com suas palhas de aço para a questão ideológica. Quis apenas fazer um comercial polêmico. E se todo mundo tem seu lado devasso, é esse o aspecto sobre o qual a mídia quer lançar seus holofotes. Mas de fato existem segmentos de “defesa” das mulheres que acreditam que depreciar os homens e apresentar o sexo frágil caracterizado de pitbull de saias é algo evoluído. Claro que não é. Ao querer inverter o jogo, fazendo piadinhas e sendo preconceituosas em relação aos homens, as mulheres na verdade legitimam aquilo que deviam condenar.

A TV está cheia desses exemplos. A novela das 9h da Globo tem a atriz Maria Clara Gueiros vivendo uma personagem tarada que trata os homens como objeto sexual. Era para ser engraçado, mas é triste e deprimente. O que a personagem apresenta é um quadro grave de patologia. Fosse um personagem masculino, seria tratado não como piada, mas como depravado, doente, asqueroso, nojento, machista. Em uma outra versão do comercial da Bombril, a CQC Mônica Iozzi (http://migre.me/44IRl) faz piadas com os homossexuais e insinua que sejam fracos e desprezíveis. É a mulher evoluída. Quando os homens começam a se conscientizar de que homofobia não é legal, elas estão à frente e são homofóbicas...

O que ocorre é que a mulher tenta ocupar um espaço já fortemente impregnado por práticas rotuladas como masculinas. O perigo é elas descobrirem que essas práticas não eram masculinas, mas humanas...Os executivos são agressivos e frios - então, elas põem terninhos e cortam o cabelo curto. Os jovens são inconsequentes e livres - então, elas fumam, bebem e vulgarizam o sexo. Como seria a mulher protagonista, então? O que esperar delas em cargos de comando? Nada. Ou tudo o que se deve esperar também dos homens: honestidade, bom senso e respeito.



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 12h15
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Sobre sítios e presidentas

No início, Dilma Rousseff dizia que respeitaria quem a chamasse de presidente ou de presidenta. Mas após a posse, a prática é diferente. No Senado já houve tentativa de constrangimento do presidente Sarney pela senadora Marta Suplicy, exigindo que ele se referisse à mandatária como presidenta. Mas dois outros fatos deixam claro que Dilma quer sim, impor o neologismo esdrúxulo. O primeiro é o fato de o Diário Oficial da União passar a trazer sua assinatura sobre a forma Presidenta Dilma Rousseff. O segundo é a fala da própria presidente no matutino Mais Você, da Globo. Lá, entre papagaio de borracha, receitas de omelete e cachorrinho de madame, ela disse que “deve às mulheres do país impor-se como presidenta” ou disse algo parecido com isso. É um argumento tolo e nos deixa a questionar por que Dilma não espera que as estudantes do país também se imponham como “estudantas” ou as garçonetes como “garçonetas”...

Uma bobagem tão grande quanto aquela imposta pelo governo Lula, que tentou forçar a forma lusitana “sítio” no lugar da brasileira “site”. Já escrevi neste blog várias vezes sobre variação linguística e, para não incorrer em repetições, não vou recitar as razões por que toda tentativa de alterar uma língua do dia para a noite é vã. Mas é triste ver a primeira mulher a chegar à presidência querer para si um simples “a” quando teria a seu dispor todo o alfabeto para reescrever não só a história das mulheres, mas de todo o sofrido povo brasileiro.



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 20h33
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Anwar (Dev Patel) e Maxxie (Mitch Hewer) da série inglesa Skins: intenso

 

 

Skins é Malhação com neurônios

Encontrei Skins por acaso, quando procurava na internet outros papéis de Dev Patel, o ator de Quem quer ser um milionário. Não sou tão fã assim do filme, mas é que Dev me lembra um amigo antigo. Mas não é a minha história que interessa e sim a dos adolescentes de Skins. Desde a primeira vez que vi Friends, quando me tornei viciado em séries de TV, que não me impressionava tanto com uma produção desse tipo. Skins é uma espécie de Malhação com neurônios. A semelhança na verdade reside no fato de que as histórias circundam o mundo teen. Só isso. Skins é intenso, é forte, é angustiante, é repulsivo é viciante.

É claro que as experiências pessoais, os traumas, os desejos reprimidos e as lembranças nos ajudam a compor a história alheia. Skins se passa em Bristol, cidade simpática da Inglaterra. Quem já andou por lá sabe o cheiro das ruas, o clima dos pubs, o vento frio do fim de tarde... Mas não precisa ter pisado na Inglaterra para se sentir na pele dos adolescentes de Skins.

À primeira vista depravados e inconsequentes, os garotos e garotas são apenas um estereótipo das incoerências dessa fase da vida. Longe da frivolidade e do maniqueísmo das produções americanas  - O.C. – e brasileiras – Malhação, Sandy e Júnior (hehehe) -, Skins exagera nas cenas de sexo, bullying e transgressão de toda forma e assim vai esfolando os clichês até que em carne viva se apresenta a questão nua e crua: o que importa é o sentimento.

Não o arquétipo romântico que caminha para o altar sob a indefectível valsa e a arrastar o impecável véu branco. Mas o sentimento que nos faz ser fiéis, companheiros e cúmplices; bons e maus. Amizade, amor, gostar, amar.  Skins consegue ser didático sem ser chato. O diálogo entre o jovem gay Maxxie e o muçulmano de araque Anwar – sim, achei o Dev Patel! – é quase um manifesto anti-homofobia: “Você já tentou ficar com garotas?”, pergunta Anwar ao amigo. “Você já tentou ficar com garotos?”, devolve Maxxie , com uma lógica desconcertante.

Skins é a constatação de que existe vida inteligente longe de Hollywood e do Projac. É a prova de que é possível retratar o adolescente sem recorrer a caricaturas grosseiras. Skins é coisa de pele. Não compensa o amigo que sumiu, mas reforça que o que importa é o sentimento que fica. “A coisa mais fina do mundo”, diria Adélia Prado. (Skins, Inglaterra, 2007. HBO Plus, estreia em 2011 no SBT)



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 03h33
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Carta de um feto à presidente Dilma

Presidente, ainda nem nasci, mas gostaria de agradecer à senhora e ao seu adversário por terem passado a campanha toda me defendendo. A discussão adulta e científica que os senhores mantiveram sobre o aborto com certeza há de me garantir uma vida fantástica. Sem dúvidas, nascerei em um ótimo hospital, sem correr o risco de ser abatido por alguma dessas superbactérias que se têm proliferado por nossas casas de saúde. Minha infância será um sonho: meus pais terão bons empregos e saberão me educar sobre o aborto.

E a minha escola, senhora presidente? Que lugar maravilhoso, onde aprenderei desde cedo a ler sobre o aborto, a fazer contas sobre o número de mulheres que morrem por dia devido ao aborto. Em Geografia serei, um gênio, pois sei exatamente em que regiões do país se praticam mais abortos.

Também viverei em um país bastante seguro, pois depois do longo debate sobre o aborto, estará resolvido todo o problema de segurança do Brasil, pois como sabemos, a culpa pela violência é do aborto. Principalmente o aborto que entra pelas nossas fronteiras mal vigiadas e chega aos morros cariocas... Também viverei em um Brasil sem graves problemas que hoje ameaçam nossa qualidade de vida. Nosso sistema de transporte será o mais moderno do mundo, aeroportos brotarão do chão e o trem-bala cruzará este país do Oiapoque ao Chuí. Tudo graças ao aborto.

Mas, não posso ser injusto, senhora presidente. A campanha não tratou apenas de aborto. Quero agradecer do fundo da minha alminha por garantirem que no mundo em que viverei não haverá casamentos gay. Nossa! Sinto arrepios no cordão umbilical só de pensar que poderia viver em um país com casamentos gays. Obrigado, presidente, obrigado ex-candidato Serra. Obrigado por se preocuparem tanto comigo, que sequer nasci a ponto de ignorarem completamente brasileiros e brasileiras que poderiam, com a ajuda dos senhores, trabalharem para garantir não apenas meu nascimento, mas minha vida plena e digna.



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 20h15
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MANIFESTO EM DEFESA DO ENSINO TÉCNICO

E TECNOLÓGICO GRATUITO E DE QUALIDADE

Nos últimos 8 anos, a rede federal de educação técnica e tecnológica passou por uma transformação impressionante. Além da construção de novas unidades, houve a valorização dos professores e servidores técnicos, com aumentos reais de salário e a criação de um novo plano de carreira. Mas a maior conquista talvez seja o resgate do ensino integrado e da pesquisa. Hoje, ao contrário do que ocorria no governo FHC, os alunos dos Cefets e Institutos Federais estudam as matérias do ensino médio de forma integrada às disciplinas técnicas. Isso faz toda a diferença, já que proporciona uma visão aprofundada e interdisciplinar do conteúdo visto. Assim, o ensino técnico cumpre seu papel social de não só formar técnicos, mas de fornecer ao mercado de trabalho e à sociedade, profissionais completos, empreendedores e críticos. Sob o comando de LULA, as escolas técnicas passaram também a investir mais em pesquisa e na extensão comunitária. Hoje, nossos alunos ingressam na universidade já com a experiência de terem desenvolvido projetos científicos financiados por agências governamentais.

Em Divinópolis há apenas 14 anos, o Cefet-MG é um bom exemplo da visão que o governo LULA/DILMA tem do ensino profissionalizante. O campus de Divinópolis é a 8ª melhor escola pública de Minas Gerais e a 43ª melhor escola pública do país, de acordo com os resultados do Enem 2009. A excelência de nosso ensino deu oportunidades a centenas de alunos, que hoje estudam em universidades federais ou em universidades particulares, muitas vezes com  bolsa integral do ProUni. Além disso, nossos cursos profissionalizantes apresentam reconhecido nível de qualidade. Profissionais altamente qualificados originários de nossa escola estão inseridos no mercado de trabalho da região, ajudando no seu desenvolvimento tecnológico. Em Divinópolis, ainda, é oferecido gratuitamente o curso superior de Engenharia Mecatrônica, um dos mais cobiçados cursos de engenharia da atualidade. Para o futuro próximo, há planos de implantação de novos cursos.

Mas todas essas conquistas estão ameaçadas com a interrupção do projeto representado por LULA e DILMA. O modelo de escolas técnicas defendido pelo candidato Serra joga por terra uma evolução consistente da qualidade do ensino oferecido na rede federal. Serra já demonstrou que, eleito, deve levar para todo o país o modelo de ensino técnico adotado em São Paulo. Isso significa o fim do ensino técnico integrado.

Além disso o governo de FHC tentou de toda forma privatizar nossa escola e oferecer um ensino em que não haveria a qualidade federal e em que o aluno poderia pagar para aprender. Portanto, se Serra for eleito, correremos novamente o risco em termos de privatização e com ela, o fim do nosso ensino gratuito e de excelência para todos.

É por tudo isso que defendemos a continuidade da política educacional de sucesso do governo Lula, que investe de forma consistente e planejada no crescimento das escolas federais. Para tanto, conclamamos os cidadãos de nossa cidade e região para que deem seu voto a DILMA 13, no dia 31 de outubro próximo. A educação agradece.

 

Professores e técnicos administrativos do Cefet-MG em Divinópolis:

Profa. Alessandra Nogueira Santos

Profa.Angelina Maria de Miranda Carvalhais

Prof. Antônio Campos Guimarães

Profa Aparecida Terayama Sallum

Prof. Christian Herrera

Prof. Cícero Leffort Borges

Prof. Diogo Damiani Ferreira

Prof. Edson Marchettti da Silva

Prof. Emerson de Sousa

Profa. Flávia Aparecida Amaral

Prof. Fernando Antônio Lemos

Prof. Gustavo Campos Menezes

Prof. João Fernando Sarubbi

Prof. João Carlos Oliveira

Prof. Juliano de Barros Veloso e Lima

Prof. Júlio Sérgio Salviano

Profa. Laura Libéria Fabbrini Santos

Profa. Luciana Isabel de Oliveira Marcelino

Prof. Luiz Carlos Gonçalves

Prof. Marcelo Henrique Ribeiro de Almeida

Prof. Marcílio Silva Andrade

Prof. Marcos Miguel G. Campos

Profa. Maria Cristina dos Santos

Profa. Maria de Lourdes Couto Nogueira

Prof. Marlon Henrique Teixeira

Profa. Nádia Cristina da Silva Mello

Prof. Ricardo Luís Ribeiro

Prof. Rônei Sandro Vieira

Profa. Rosânia Maria de Resende

Profa. Sandra Vaz Soares Martins

Prof. Valter Júnior de Souza Leite

Prof. Wagner Custódio de Oliveira

Téc. Adm. Aldo Geraldo Simões

Bibliotecário Cléber Bolívar da Silva

Téc. Adm. Eraldo Borges

Bibliotecária Fabiana Pés do Nascimento

Téc. Adm. Felipe Augusto do Carmo Lemos

Téc. Adm. Helena Maria dos Santos

Téc. Adm. Jurandir Botelho Vargas

Téc. Adm. Matheus Teixeira Rocha

Nutricionista Kênia de Souza Dias

Inspetora Alunos Luciânia Pontes de Oliveira

Dentista Marília Borges Costa Silva

Téc. Adm. Naiara Jennifer Cunha



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 20h19
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Um pouco de lógica e de bom senso

Pense bem: se é que existe uma verdade, como ela chega até você? Como você e eu, cidadãos comuns, temos acesso aos fatos? A tudo o que acontece no mundo e principalmente, na esfera política, dentro dos palácios, dos parlamentos, das cortes de Justiça? Quem nos traz esses “fatos” é a imprensa, ou mídia, como se usa hoje em dia para sintetizar todos os tentáculos dessa máquina. Sendo assim, tudo o que sabemos, sabemos porque alguém permitiu que soubéssemos. E, pior: como na velha brincadeira do telefone sem fio, toda informação é de segunda mão. Tudo o que nos chega, é filtrado várias e várias vezes: passa pelo crivo da fonte, do jornalista, de seu chefe e finalmente cai na rede, onde nem tudo é peixe e precisa ser garimpado.

Nesta eleição, vivemos um contexto inédito. Temos boa parte dos órgãos de imprensa – o que não é muito, pois a maioria pertence a meia dúzia de famílias – apoiando de forma velada o candidato José Serra. Dá até para sentir saudades de 1989, quando acusavam apenas a TV Globo de ter um lado na disputa...

A priori, não há problemas em que um órgão de imprensa apoie um candidato. Nos Estados Unidos, é praxe que jornais, TVs, portais de internet, deixem bem claro de que lado estão. A Fox, por exemplo, importante canal de TV americano, é abertamente republicana e, claro, seus telespectadores sabiam de antemão que na última eleição a Fox apoiaria John MacCain contra Obama. Os jornais impressos estampam na primeira página texto explicando que candidato escolheram e por quê. Isso é saudável. O que não é justo é o órgão de imprensa apoiar um candidato sob o falso manto da imparcialidade. Claro que isso desequilibra o jogo e é desleal.

As pessoas confiam na imprensa e quando veem estampadas notícias contra um candidato em sua revista, jornal ou site preferidos, tendem a aceitar como fato e não como hipótese. O caso da Revista Veja ilustra bem isso. É inegável que Veja sempre apoiou o PSDB e não é coisa desta eleição. Mas será que suas “denúncias” teriam a mesma credibilidade se a revista assumisse que tem um lado? Mais: se a revista faz seu trabalho a serviço do Brasil e não de um candidato, por que só faz denúncias em período eleitoral? E por que só investiga um dos dois candidatos?

Por outro lado, tem-se de reconhecer a honestidade do mais antigo jornal do país, O Estado de S. Paulo. Ao contrário de Veja, “O Estado” teve a coragem de assumir na primeira página o apoio a Serra. Assim é justo, pois o leitor já fica avisado de que muito do que se publica ali terá um viés que é o de ajudar na eleição do candidato tucano.

O bom senso recomenda, portanto, que não se vote em José Serra. Isso por uma questão de lógica. Caso Dilma seja eleita, teremos toda a imprensa a fiscalizar sua gestão. E isso é ótimo. Além dos nossos deputados e promotores públicos, teremos também a competência investigativa de Veja, O Estado de S. Paulo,  UOL e de outros importantes órgãos de imprensa funcionando como nossos olhos dentro dos palácios, do parlamento, das cortes de Justiça.

A não ser que alguém acredite de fato que corrupção só acontece nos governos do PT. Aí é votar no Serra e esperar Papai Noel chegar e o Galo ser campeão brasileiro, tranquilo. Pense bem: se mesmo com a mídia na oposição, não podemos confiar muito nas informações que chegam até nós, imagine depois que essa mídia subir a rampa  do Planalto ao lado do presidente? Aí sim, podemos nos preparar para experimentar o pior regime a que uma nação pode se submeter: a ditadura da mídia. É quando os nossos olhos e ouvidos se voltam contra nós.



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 00h23
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EDUCAÇÃO – O BRASIL NO RUMO CERTO
 
Manifesto de Reitores das Universidades

Federais, à Nação Brasileira

Da pré-escola ao pós-doutoramento - ciclo completo educacional e acadêmico de formação das pessoas na busca pelo crescimento pessoal e profissional - consideramos que o Brasil encontrou o rumo nos últimos anos, graças a políticas, aumento orçamentário, ações e programas implementados pelo Governo Lula com a participação decisiva e direta de seus ministros, os quais reconhecemos, destacando o nome do Ministro Fernando Haddad.

Aliás, de forma mais ampla, assistimos a um crescimento muito significativo do País em vários domínios: ocorreu a redução marcante da miséria e da pobreza; promoveu-se a inclusão social de milhões de brasileiros, com a geração de empregos e renda; cresceu a autoestima da população, a confiança e a credibilidade internacional, num claro reconhecimento de que este é um País sério, solidário, de paz e de povo trabalhador. Caminhamos a passos largos para alcançar patamares mais elevados no cenário global, como uma Nação livre e soberana que não se submete aos ditames e aos interesses de países ou organizações estrangeiras.

Este período do Governo Lula ficará registrado na história como aquele em que mais se investiu em educação pública: foram criadas e consolidadas 14 novas universidades federais; institui-se a Universidade Aberta do Brasil; foram construídos mais de 100 campi universitários pelo interior do País; e ocorreu a criação e a ampliação, sem precedentes históricos, de Escolas Técnicas e Institutos Federais. Através do PROUNI, possibilitou-se o acesso ao ensino superior a mais de 700.000 jovens. Com a implantação do REUNI, estamos recuperando nossas Universidades Federais, de norte a sul e de leste a oeste. No geral, estamos dobrando de tamanho nossas Instituições e criando milhares de novos cursos, com investimentos crescentes em infraestrutura e contratação, por concurso público, de profissionais qualificados. Essas políticas devem continuar para consolidar os programas atuais e, inclusive, serem ampliadas no plano Federal, exigindo-se que os Estados e Municípios também cumpram com as suas responsabilidades sociais e constitucionais, colocando a educação como uma prioridade central de seus governos.

Por tudo isso e na dimensão de nossas responsabilidades enquanto educadores, dirigentes universitários e cidadãos que desejam ver o País continuar avançando sem retrocessos, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção, que estamos no rumo certo e que devemos continuar lutando e exigindo dos próximos governantes a continuidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis, assim como na ciência, na tecnologia e na inovação, de que o Brasil tanto precisa para se inserir, de uma forma ainda mais decisiva, neste mundo contemporâneo em constantes transformações.

Finalizamos este manifesto prestando o nosso reconhecimento e a nossa gratidão ao Presidente Lula por tudo que fez pelo País, em especial, no que se refere às políticas para educação, ciência e tecnologia. Ele também foi incansável em afirmar, sempre, que recurso aplicado em educação não é gasto, mas sim investimento no futuro do País. Foi exemplo, ainda, ao receber em reunião anual, durante os seus 8 anos de mandato, os Reitores das Universidades Federais para debater políticas e ações para o setor, encaminhando soluções concretas, inclusive, relativas à Autonomia Universitária.

 

Alan Barbiero - Universidade Federal do Tocantins (UFT)
José Weber Freire Macedo – Univ. Fed. do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Aloisio Teixeira - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Josivan Barbosa Menezes - Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA)
Amaro Henrique Pessoa Lins - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Malvina Tânia Tuttman – Univ. Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Ana Dayse Rezende Dórea - Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Maria Beatriz Luce – Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)
Antonio César Gonçalves Borges - Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Maria Lúcia Cavalli Neder - Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Carlos Alexandre Netto - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Miguel Badenes P. Filho – Centro Fed. de Ed. Tec. (CEFET RJ)
Carlos Eduardo Cantarelli – Univ. Tec. Federal do Paraná (UTFPR)
Miriam da Costa Oliveira – Univ.. Fed. de Ciênc. da Saúde de POA (UFCSPA)
Célia Maria da Silva Oliveira – Univ. Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Natalino Salgado Filho - Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Damião Duque de Farias - Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Paulo Gabriel S. Nacif – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Felipe .Martins Müller - Universidade Federal da Santa Maria (UFSM).
Pedro Angelo A. Abreu – Univ. Fed. do Vale do Jequetinhonha e Mucuri (UFVJM)
Hélgio Trindade – Univ. Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
Ricardo Motta Miranda – Univ. Fed. Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Hélio Waldman – Universidade Federal do ABC (UFABC)
Roberto de Souza Salles - Universidade Federal Fluminense (UFF)
Henrique Duque Chaves Filho – Univ. Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Romulo Soares Polari - Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Jesualdo Pereira Farias - Universidade Federal do Ceará - UFC
Sueo Numazawa - Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
João Carlos Brahm Cousin - Universidade Federal do Rio Grande – (FURG)
Targino de Araújo Filho – Univ. Federal de São Carlos (UFSCar)
José Carlos Tavares Carvalho - Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
Thompson F. Mariz - Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
José Geraldo de Sousa Júnior - Universidade Federal de Brasília (UNB)
Valmar C. de Andrade - Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
José Seixas Lourenço – Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
Virmondes Rodrigues Júnior – Univ. Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
Walter Manna Albertoni - Universidade Federal de São Paulo ( UNIFESP)



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 14h02
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E de repente voltamos à Idade Média

Nos Estados Unidos, o aborto é legalizado. Mas há pessoas e partidos políticos que lutam contra isso. Na Holanda, o uso de algumas drogas não é crime. Mas essa medida também tem opositores. Em vários países da Europa e agora na Argentina, a parceria homoafetiva ou “casamento gay” foi aprovada pelo parlamento. Parte da população é contra. Isso se chama democracia. Havia um problema ou uma demanda por algo. Debateu-se a questão e, no voto, um lado saiu vencedor.

Costuma-se chamar aqueles que lutam para introduzir conceitos novos na sociedade de progressistas. Já aqueles que não querem nem saber de alterações são conservadores. São duas correntes de pensamento nítidas: aqueles que querem inovar, mudar e aqueles que querem conservar as coisas como estão.

No Brasil, por mais que se finja que vivamos em um país especial, abençoado por Deus, bonito por natureza e com apenas dois times de futebol - Flamengo e Corinthians -, também há quem lute para mudar conceitos e leis. O problema é que do outro lado não está uma posição política ou ideológica pensada que se possa classificar de conservadora. Não, do outro lado está o atraso, o medo medieval, a preguiça de pensar e a obediência cega a preceitos religiosos e moralistas. Para provar isso basta tentar imaginar o Congresso promovendo uma sessão para pensar em discutir temas como aborto ou “casamento gay”. De imediato teríamos uma horda de fanáticos religiosos a promover quebra-quebra e a agredir verbal e fisicamente os parlamentares. Isso já aconteceu várias vezes.

O Brasil não é uma democracia madura. O Brasil não é um Estado laico. Não é uma democracia de fato um país onde sequer se pode colocar em pauta um tema. Não é uma democracia um país em que os candidatos são coagidos a assinarem abaixo de pensamentos de uma corrente religiosa. Iniciamos esta eleição festejando o amadurecimento de nossa democracia. Sonhamos ver sendo discutidos temas como reforma política, fiscal e eleitoral. Alguns até deliraram que, com candidatos de tão alto nível como Dilma, Marina e Serra, poderíamos até discutir - vejam bem, eu disse discutir, isso já é legal - temas como aborto, drogas e homofobia.

Mas veio o segundo turno e nos vemos imersos numa caça às bruxas. Após 3 de outubro, voltamos no tempo. Estamos hoje na Idade Média e assistimos no horário eleitoral a uma patética disputa por quem diz mais vezes a palavra “Deus”. Agora é esperar pelo dia da eleição para ver quem as Igrejas vão arremessar na fogueira insana do atraso, do fanatismo e do preconceito. Ao escolher o dia do 2º turno, a Justiça Eleitoral não podia ter sido mais profética. Afinal, dia 31 de outubro é o Dia das Bruxas. Vamos torcer para que o povo tenha sabedoria suficiente para saber escolher entre doces e travessuras. Eu fico com a saudável travessura daquele que ousar desafiar a ditadura do medo, do atraso e da ignorância.



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 23h11
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Por que voto Dilma presidente

A opção por um ou outro candidato é ou deveria ser, claro, fruto de análise serena de prós e contras. Temos na verdade dois candidatos com reais condições de governar o pais: Serra e Dilma. Isso porque são os únicos com partidos sólidos, experiência administrativa e que não se vinculam a projetos radicais ou que desafiem a premissa de um Estado laico e soberano. Minha opção por Dilma Rousseff se dá em boa dose pela conjuntura positiva econômica e social por que passa o país e que é sim fruto do bom gerenciamento do atual governo ao qual Dilma serviu. Mas em vez de desfiar as conquistas nesses campos, já tão proclamadas no dia-a-dia, prefiro elencar os ganhos e as perspectivas em um setor que considero estratégico: a educação.

Voto em Dilma porque a percebo compromissada com um avanço na educação sem precedentes neste país. Não que tenhamos atingido magnífica qualidade de ensino. Ainda estamos longe disso. Mas o atual governo federal sinaliza com mudanças que podem conduzir a uma contínua melhora nesse setor. O governo Lula valoriza o professor e demonstra isso na forma que, ainda que não admitam os românticos, todos queremos: com bons salários. Com Lula, os professores federais ganhamos um plano de carreira com mais perspectivas de progressão.  Com salários justos, os professores das escolas federais podemos comprar livros, equipamentos atualizados, viajar regularmente o que, sem dúvidas reflete na qualidade de nossas aulas. Não é à toa que as escolas federais são as primeiras no ranking do Enem. Em Divinópolis, o Cefet, com apenas 14 anos, está à frente nesse ranking de todas as demais escolas, algumas caminhando para meio século de existência.

A adoção do Enem como entrada única para as universidades é um sonho antigo de tucanos e petistas, mas sempre relegado à vala dos sonhos impossíveis. Não sem tropeços, como é normal em todo início de caminhada, o projeto vem sendo implementado. Isso é vital para a solução do maior problema da educação no Brasil: os currículos ultrapassados mas justificados pela singela desculpa: “ensino assim porque cai no vestibular”. Com o Enem, ficará mais fácil sonhar com um currículo moderno, sem as decorebas e os conteúdos desnecessários à vida mas úteis às pegadinhas dos vestibulares.

À época de FHC, além de praticamente não haver aumentos reais de salário, os servidores federais viviam sob constante sobressalto. A cada dia o governo sinalizava com uma “maldade” nova. Ameaçaram repassar as escolas técnicas federais para as prefeituras e estados. Praticamente não havia obras de ampliação de campus e abrir uma nova escola técnica era algo proibido.

Com Lula, as universidades viraram grandes canteiros de obras. Qualquer um que tenha ido à UFMG no último ano do governo FHC e que volte hoje corre o risco de não reconhecer o local tantas são as construções que parecem brotar do chão. As escolas técnicas federais foram levadas a todos os cantos do país. Junto com elas, mais oportunidade de pesquisa e emprego. Isso é importante. Quem não conhece um Instituto Federal ou Cefet, pode imaginar que sejam apenas uma escola em que se ensina uma profissão. Não é só isso. Essas escolas são cada vez mais centros de pesquisa. Bolsas concedidas aos alunos incentivam os estudantes a pesquisar ainda no ensino médio. Isso é uma pequena revolução. Imagine-se a vantagem que um aluno que trabalhou com pesquisa orientada aos 15 anos de idade terá sobre seu colega de universidade que não teve a mesma experiência...

Há sérios desafios à espera do próximo governo na educação. É preciso reformar o Ensino Médio, que até 2007 sequer era obrigatório. É necessário ainda priorizar a alfabetização. Capacidade de leitura – escrever e interpretar textos – e matemática têm de ser enfatizados já nos dois ou três primeiros anos de estudo. É inadmissível um aluno precisar chegar ao ensino médio para ter as primeiras aulas de redação. Isso, além da revisão dos conteúdos ensinados e da melhora na formação de professores.

É para manter e aprofundar as atuais conquistas e para implementar as mudanças necessárias para termos uma educação de qualidade que voto pela continuidade do atual governo. Não confio a tarefa de cuidar da educação a quem considera que salários dignos não têm repercussão sobre a melhora da qualidade do trabalho dos professores. Não quero um governo que acha que medidas pontuais como arrancar criancinhas de seis anos do seio familiar e colocá-las na escola por si só resolvem alguma coisa. Tampouco quero a ilusão das escolas sem reprovação mantidas por Serra em São Paulo. Muito menos desejo que tudo o que conquistamos com a expansão da rede federal de ensino caia nas mãos de quem se guia pelo obsessivo desejo de corta gastos. Não desejo nem em sonho voltar a uma época em que abrir escolas era computado na coluna de custos e não de investimentos.

É claro que sempre se pode alegar que os tucanos mudaram ou que os tempos são outros: “Lula deu sorte porque as reformas de FHC deram fruto no governo do PT”. Ainda que seja assim, prefiro seguir com um governo sortudo a apostar novamente em quem não me deu valor. Dilma presidente.  



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 17h45
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A iscola de Carla Perez

 

“Livro é como uma esteira ergométrica:

um dia você olha e ele está ali, você nem liga,

mas quando descobre o bem que pode fazer...”

(Presidente Lula)

 

Todo movimento literário - barroco, romantismo - é sempre estudado e caracterizado bastante tempo depois de sua manifestação. Pela proximidade, portanto, acostumou-se a chamar qualquer manifestação literária contemporânea de modernista. Isso porque ainda não se deu um distanciamento ideal para que estudiosos rotulem a nossa produção artística atual. Nada impede, no entanto, que façamos um exercício de futurologia e tentemos prever como as gerações futuras catalogariam a arte manifestada hoje. Vamos nos imaginar, então, no futuro. O ano é 2107. Naquele tempo, o mundo tentava se reerguer depois de ser quase devastado por guerras insanas, pelo efeito estufa, pelo fenômeno El Niño e por outros clichês desse tipo.

É, bem, a verdade é que não sobrou ninguém, nada. Quase nada, pois alguma coisa ficou entre as ruínas e, com a ajuda de figuras imortais da nossa cultura, como Dercy Gonçalves, foi descoberta pelos arqueólogos. Dentre o material encontrado, muitos relatos sobre uma tal civilização popozuda, que teria habitado o local onde hoje é o Rio de Janeiro.  Antigos escritos de filósofos dos séculos XX e XXI também ajudaram a compreender melhor essa época. É o caso de Sandy e Júnior. Dentre os seus ensinamentos, uma frase ficou na mente dos arqueólogos: “o que é imortal, não morre no final”. De fato, alguns livros se salvaram, para sorte e deleite das gerações futuras. Uma mensagem atribuída ao presidente Lula (2003-2010), sintetiza bem o amor desse povo pela cultura: “Livro é como uma esteira ergométrica. Ela fica ali, no quarto, e você nunca usa. Um dia, você descobre e não quer mais parar”.

Pois é. Nada disso, no entanto, se equipara ao tesouro encontrado em escavações feitas próximo ao Pelourinho, na Bahia. Pilhas e pilhas de letras de poemas escritos com uma ousadia sintática e semântica impressionante. Tinham certeza que não eram de Gregório de Matos Guerra. Os testes de carbono catorze revelaram que os poemas datavam do período hebe-camargo. Em quase todos havia referência àquela que provavelmente seria a musa inspiradora dos artistas da época: Carla Perez. Pouco se sabe sobre essa fascinante espécie. Os arqueólogos já haviam ouvido falar nessa mulher mitológica, metade seios metade bumbum. Mas sempre pensaram que fosse uma lenda.

Segundo o mito, ela teria sido a mãe de uma  espécie nova que daria origem a uma nova geração. Mas como em toda biografia de celebridades, é difícil separar a verdade da mentira. O fato é que Carla Perez teria sido um divisor de águas na cultura brasileira. Voltemos à literatura.  Através da análise dos poemas foi possível configurar o período literário que ainda se constituía num vácuo para os  estudiosos. Os poemas - batizados de Axé - foram, portanto, o elo perdido da literatura do período FHC, que vai da invenção do Real até a desinvenção da luz, em 2001. A partir de pérolas como “Pau que nasce torto nunca se endireita; menina que requebra, mãe, pega na cabeça” ou “joelhinho, cabeça, joelhinho, cabeça” foi possível traçar o que teria sido o fabuloso período axeísta. É interessante ressaltar que Axé não significa nada. 

É impossível, porém, estudar tal movimento sem se chamar a atenção para a sua principal idealizadora: a polivalente artista Carla Perez. Nascida na Bahia, na década de 70 do século XX, Carla Perez nunca foi compreendida. Filha de uma mulata vendedora de acarajés no Pelourinho com um português, desde cedo mostrou aptidão para a arte. Para conseguir realizar seu sonho sempre se virou. E virava-se quantas vezes fossem necessárias, sem perder o rebolado. Os pais queriam vê-la médica, mas a vocação artística falou mais alto. Tal qual os grandes gênios, foi incompreendida na escola. Certa vez foi severamente repreendida pela professora porque lançou uma polêmica: a palavra “escola” deveria ser escrita com “i” (“iscola”, como é hoje) e não com “e”, como se escrevia na época. Quando resolveu questionar assuntos mais delicados, como a defesa da tese de que Salvador é uma capital e não uma cidade, foi obrigada a abandonar os bancos escolares. Estava à frente de seu tempo. Filósofa, compositora, coreógrafa, alfabetizadora, humorista... A verdade é que Carla Perez era uma artista completa, de difícil categorização. Algodão doce pra lá, algodão doce pra cá, Carla teve uma vida conturbada, mas marcada por sua determinação em consolidar um novo estilo de manifestação artística: o axeísmo. Apesar da dificuldade em rotular a arte manifestada por Carla Perez, vamos tentar, a seguir, enumerar cronologicamente os movimentos que marcaram a consolidação do axeísmo, bem como o contexto histórico da época. CONTINUA ABAIXO...



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 21h33
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...CONTINUAÇÃO

1995 - A dança da garrafa

Naquele ano, o Brasil reafirmava sua democracia, ao dar posse ao segundo presidente democraticamente eleito após o Golpe de 1964, Fernando Henrique Cardoso. Ao mesmo tempo, o país discutia se Simony devia ou não permitir a filmagem do parto de seu filho Ryan. Na área artística, Carla Perez faz em 1995 a primeira mostra pública de sua arte, totalmente revolucionária para a época. Visionária, a artista vislumbrou em suas nádegas uma extensão do eu-lírico. Conta-se que Carla, então com 17 anos, saiu de casa decidida. Com o pouco dinheiro que lhe restava no bolso da tanguinha, comprou um ingresso para um show de rock, que aconteceria no estádio do Barradão, famoso ponto cultural da Salvador da época. Assim, com uma idéia na cabeça e uma garrafa vazia na mão, a beldade deu início a sua carreira.

No intervalo do show, subiu ao palco e na frente de uma platéia de roqueiros conservadores, expôs a sua arte, que consistia em um movimento corporal circular, de modo que a artista ia descendo e subindo sobre o gargalo da tal garrafa vazia. Foi um escândalo. Após a performance - incompreendida pelo público, como o tempo tratou de mostrar - houve quem vaiasse, atirasse cocos e até relinchasse como cavalo. No dia seguinte, o escritor ultra-conservador da época, Jorge Amado, lançava no principal jornal da Bahia o famoso e inflamado artigo “Paranóia ou Mistificação”. Carla Perez ficou desolada: não fazia a menor idéia do que fosse mistificação. Paranóia era uma doença sexualmente transmissível, pensava ela.

 

1996 - A divulgação do novo movimento

A partir daí surgem vários manifestos axeístas. As portas do Domingo Legal, uma revista de divulgação do novo movimento cultural, se abrem para Carla. Uma revista do Rio de Janeiro, a Domingão do Faustão, também se rende ao novo estilo, mas defende uma transição pacífica. Surge também a revista H, que revela a artista Tiazinha, para quem a nova arte deveria atingir a burguesia como uma chicotada.

• Carla Perez sacode o seu Manifesto É o Tchan. De caráter antropofagista - os axeístas diziam que toda arte deveria ser devorada e depois vomitada -, o movimento teve inspiração em Mário de Andrade, pois fazia sucesso com letras de músicas aparentemente simples, usando um baianês que o povo entendia. O símbolo era a bunda. Pensaram, assim como os modernistas, em usar uma anta. Carla Perez chegou a apresentar um programa com suas propostas. A atração se chamava “Anta dança, minha gente”, mas a artista descartou a idéia, temendo associações maldosas.

 

1997 - 1ª fase ou Gera-samba Heróica

Bem ou mal, estava dada a bundada inicial do axeísmo. Ainda sob o efeito do artigo de Jorge Amado, Carla conseguiu reunir em torno de si vários artistas descontentes com o modernismo.

• O poema “Segura o Tchan”, do poeta Compadre Washington, torna-se o hino dos axeístas, devido à sua escrachada crítica à elite conservadora, representada por poetas como Caetano Veloso e Chico Buarque.

• É lançado o manifesto Gera-Samba, que reuniu artistas desconhecidos, mas que depois acabariam virando ícones do axeísmo, como Jacaré, Compadre Washington, Sheila Loira e Sheila Morena e Beto Jamaica, com os seus famosos poemas de duplo-sentido.

 

1998 - 2ª fase ou Geração Fantasia

A Usurpadora é um sucesso maior que Maria do Bairro. Carla Perez abandona a militância artística, mas não a arte. Lança um programa na TV, o “Fantasia”, em que dá aulas sobre conhecimentos culturais. “Quero ensinar minha arte às crianças”, dizia ela. Mais uma vez é atropelada pela crítica, que classifica seu programa como elitista, devido ao elevado nível intelectual dos assuntos abordados. Com um formato ousado e sofisticado demais para a sociedade conservadora  da época, o “Fantasia” sai do ar.

• Abandonada, Carla cai em depressão. Entrega-se às drogas. Num só dia chega a consumir cinco tons diferentes de tintura de cabelo. Morre de overdose, sozinha e miserável, num puxadinho da Casa dos Artistas. Durante o velório, que aconteceu no SBT, as amigas Gretchen e Tiazinha fazem gemidos inflamados. A Orquestra Sinfônica de São Paulo, regida pelo grande maestro Zezinho, executa o clássico Dança do Bumbum: “Conheci uma menina que veio do sul...”. Multidões choram em frente à TV. Ironicamente, o último desejo da artista, de ser velada de bruços, não foi atendido. Sobre a lápide, grafou-se em letras garrafais a inscrição que resume a sua vida: “Aqui jaz Carla Perez: deu em cima, deu embaixo, na dança do tchaco e na garrafinha deu uma raladinha”.

• No mesmo ano, é lançado o movimento É o Tchan no Havaí, que visa a revitalizar o axeísmo. É taxado de escapista demais pela crítica. Sem Carla Perez, o movimento perde adeptos. Começa o declínio do axeísmo.

2000 - 3ª fase ou Geração Bucólica

Em busca de inspirações neoclássicas e bucólicas, o grupo É o Tchan se refugia na selva.  É publicada a obra completa do movimento axeísta em um álbum de figurinhas coloridas que vêm em chicletes. Começa a era sheilas e as popozudas vêm pra abalar. A sociedade é envolvida pelo debate em torno de uma questão crucial para a época: “Só um tapinha não dói?”  (Escrito em 2004)



Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 21h32
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