Questão anulada, da prova de Linguagens do Enem É essa. Ou esta? É essa, a única questão anulada do Enem 2009. Além de ser alienígeno à proposta do Novo Enem – cobra nomenclaturas, decoreba e gramática normativa –, o exercício tem duas respostas plausíveis. A questão pergunta qual alternativa contém exemplo de uso da norma padrão culta do português. De fato, em b – “uso do pronome ‘o’ em ‘escrevê-lo’ – e em c – “uso do pronome ‘sua’ – há emprego da norma culta. Por haver duas respostas possíveis é que a questão foi anulada. Mas a julgar pelo que vejo nos textos – inclusive nos dos alunos mais brilhantes – boa parte dos candidatos deve ter ficado em dúvida também quanto à alternativa a. Afinal, em “Por que o senhor publicou esse livro?” seria “esse” mesmo? Não. É “este”. Mas o que regula o uso de “esse” e “este”? Na verdade, “este” é usado majoritariamente na língua falada e rarissimamente na escrita. Serve para designar um objeto em posse do falante. Nesse contexto, “esse” é usado para se referir a algo em posse da pessoa com quem se fala e “aquele” mostra algo que esteja com uma terceira pessoa, alguém sobre quem se fala. No caso da tira do exercício do Enem, é “este livro” porque o livro está com o repórter que faz a pergunta. Mas e no texto escrito, quando se usam “esse” e “este”? São muito raras as situações de uso do “este”, já que é um elemento da língua falada. Basicamente, o “este” é usado para se referir ao próprio texto que se escreve – “Este texto é sobre o uso de ‘este’ -, ao último elemento de uma lista – “Todos chegaram bem: José, Antônio e Pedro. Este [Pedro], bastante cansado” – e para indicar data corrente – “este ano de 2009”, “esta semana”, “este século (XXI)”. Mas se na maioria esmagadora das vezes, deve-se usar o “este” no texto escrito, por que as pessoas usam mais o “esse”? O motivo é o mesmo por que as pessoas também gostam de escrever “qual” quando deveriam usar “que”. Chama-se hipercorreção e acontece porque em se tratando de língua, quando as pessoas não têm certeza sobre o uso de determinado termo, costumam optar pela seguinte lógica: “o que se fala não se escreve e o que se escreve não se fala”. Como ao falar as pessoas usam mais o “esse”, por questão de economia, já que é mais fácil de pronunciar do que “este”, deduz-se que o “correto” seria “este”. Decorre daí que quando escrevem, colocam o “este” no lugar do “esse” pensando estar demonstrando erudição. O mesmo ocorre com o “qual”, que é um pronome relativo muito raro, usado geralmente em situações em que o “que”, por não indicar gênero, causaria ambiguidade – “O pai de Maria, que é inteligente… [quem é inteligente, Maria ou seu pai? Dai: “O pai de Maria, a qual é inteligente…]. Como na fala, praticamente só se usa o “que”, quando vão redigir, as pessoas deduzem que esse pronome é algo da oralidade, do uso coloquial da língua.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 21h44
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ENEM 2009 Dia 2: bom tema de redação No segundo dia, muito cansaço. A prova de português – ou “Linguagens, códigos e suas tecnologias”, como queiram – estava cheia de cobranças do domínio de nomes das coisas: pronome oblíquo, metomínia, eufemismo, funções de linguagem… Há muito tempo, vestibulares como os da UFMG e Unicamp já não cobram nomenclatura. Saber o nome da coisa não implica saber o que é a coisa e vice-versa. E afinal, é “meio-ambiente” ou “meio ambiente”? A prova do Enem tinha as duas grafias. E tinha “extrato” com “x”, em “extrato sonoro do idioma”. O correto é “estrato”, para se referir a uma camada. Extrato, com “x”, é suco, é a essência. Já a redação, que a meu ver deveria ser a única questão de Português, ops!, “Linguagens, códigos e suas tecnologias”, pois quem sabe redigir já provou que sabe usar a língua, veio com o tema “O indivíduo frente à ética nacional”. Os textos de apoio chamavam a atenção para pessoas que sempre colocam a culpa “neles”, nos políticos e questiona o efeito de se dizer que “todos os políticos são corruptos”. Ou seja, texto fácil de se fazer, a não ser para aqueles que de fato acreditam que todos os políticos sejam corruptos e que o pobre povo é apenas uma presa fácil desses políticos. O tema é muito discutido em sala de aula. Lembro-me inclusive de ter pedido texto quase idêntico no 2ºB, recentemente. A primeira coisa que fiz foi a redação. Imaginei que seria impossível conseguir pensar depois das longas e cansativas questões de múltipla-escolha. De fato, ao final, minha cabeça doía tanto que tive de deixar de fazer mais da metade das questões de matemática. Outro problema: falta espaço para rascunho da redação. Minha ideia era passar o rascunho a limpo, ainda a lápis, e só depois colocá-lo na folha definitiva. Tempo para isso eu tive, mas papel não. Não dava para apagar o rascunho e transcrevê-lo para o mesmo espaço. Transcrevo a redação a seguir: A corrupção é um problema que não tem início e fim nos políticos. Os deslizes éticos que nos acostumamos a assistir na TV são alimentados pela ação ou inércia do indivíduo comum. O combate a esse mal exige de cada cidadão uma postura crítica e a revisão de valores fortemente arraigados. Acreditar que a corrupção é um problema apenas de políticos, de engravatados é o primeiro passo para perpetuar essa anomalia. Os escândalos que se sucedem no meio político são na verdade sofisticações de pequenos “delitos” cometidos diariamente pelo cidadão comum. Chantagear o filho para que se comporte, ficar com o troco a mais da padaria ou tentar se livrar da multa de trânsito com a clássica “cervejinha”. São pequenas concessões morais como essas que redundam em casos midiáticos de apropriação de bens e direitos. O preço de uma sociedade justa é a eterna vigilância. É preciso promover o acesso de todos às leis e incentivar a recriminação a todo e qualquer ato aético ou ilegal. É claro que essa mudança de valores deve vir acompanhada pelo clamor por reformas no aparato legal de fiscalização e de punição dos supostos infratores. Passa ainda pela análise minuciosa da vida dos candidatos antes de cada pleito. O cidadão que não flerta com a ilegalidade, por menor que ela seja, deve se fazer ouvir e exigir a partir do exemplo, a conduta ética daqueles que o representam na esfera política. A crise ética só se resolve, portanto, quando cada indivíduo se vir como parte da solução e não como mera vítima. Achar que o problema é dos políticos é um auto-engano. Cobrar retidão moral enquanto se compram CD´s e DVD´s piratas na esquina é hipocrisia. Aqueles que nos representam no parlamento e no executivo são o espelho do que somos. Uma imagem muitas vezes distorcida pela ignorância e pelo medo de admitir os próprios erros.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 18h39
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ENEM 2009 Sentindo na pele: relato do 1º dia Minha primeira preocupação foi chegar ao local sem ser reconhecido para não precisar dar explicações sobre por que um professor com mestrado e emprego estável estava fazendo o Enem. Exceto por um ex-aluno que já sabia da minha missão, passei despercebido. Só para constar: a ideia é fazer o Enem sem qualquer preparo prévio, mais de vinte anos após terminar o Ensino Médio – na verdade, Ensino Científico, como dizíamos no século passado. Dentro do prédio, água, banheiro e fui procurar a sala 14. O plano de passar despercebido durou até o limiar da porta. A aplicadora que recebia os candidatos era uma vizinha que me olhou com cara de “afinal, quantos anos você tem?!” Retribuí o olhar com uma cara de “não é da sua conta!” e fui procurar meu lugar. Os cadernos de respostas já estavam dispostos sobre as carteiras em ordem alfabética. Ainda faltava uma hora para a prova. Fui cedo, o Wagner Moura sabe ser ameaçador... Precisava fazer algo para passar o tempo. Passei a procurar candidatos mais velhos para não me sentir um tira no jardim de infância. Surpresa: todos os Luiz Carlos eram senhores e alguns mais velhos do que eu, pelo que pude ler nas fichas de inscrição. Conclusão: de fato, os adolescentes são em sua maioria diegos ou matheuses. Curiosidade 2: praticamente não existem meninas com nome iniciado em “L”. Em uma sala de 50 pessoas, só duas, assustadíssimas. Nesse momento, o Luiz Carlos da minha frente bateu no meu ombro e sussurrou: “você reparou que não existem mulheres com L? Mas a sala de M só tem meninas!” Fiz a cara de “afinal, quantos anos você tem?!” e olhei no relógio: o trabalho de observação de futilidades estava fazendo efeito, agora só faltavam 55 minutos para a prova. Foi nesse momento que dei pela falta da chave do meu carro. Gelei. “Meu Deus e agora? Devo ter deixado no banheiro. Droga! O Wagner Moura não vai me deixar sair para buscar!”. Ele talvez não, mas a minha vizinha disse que enquanto não entregássemos a prova estávamos livres para sair da sala. Resgatada a chave, o que consumiu uns bons três minutos, passei a preencher o cabeçalho da folha de respostas bem devagar para gastar tempo. Só quando terminei me veio um sobressalto: eu não li as instruções! Deus! Se não me engano, na minha escola isso costuma ser punido com 50 chibatadas! E existe a lenda urbana de que nas instruções pode estar escrito para não preencher! Não foi dessa vez que a lenda se confirmou, mas também não era para preencher. Lá estava escrito: “só preencha depois da permissão do aplicador”. Anos do outro lado da carteira nos fazem esquecer esses dogmas. Virei a folha para evitar reprimendas da minha vizinha e torci para que Wagner Moura não tivesse poderes de clarividência. Finalmente, 13h e a vizinha entrega os cadernos de questões. Assim que peguei o meu, comecei a resolver. Já estava na terceira questão quando ergui a cabeça e vi que ninguém havia tocado na prova. Aí, a aplicadora anunciou em tom solene e com um olhar de “se você não fosse meu vizinho chamava sua atenção”: “podem começar e boa sorte”. Ah, droga, fiz de novo! Mas, a prova em si. O objetivo da minha experiência é testar o quanto de fato, o novo Enem cobra raciocínio e menos decoreba. Pela minha lógica, eu só conseguiria resolver as questões que exigissem a aplicação de conhecimentos consolidados, aqueles que de fato têm utilidade prática e, por isso, eu não havia esquecido. Mas, logo na primeira questão havia uns tais de “gases traço”. O quem vem a ser isso? Não fazia a mínima ideia da resposta a essa questão, então, marquei a alternativa que começava por “reduzir o desmatamento...”. Era a mais politicamente correta e eu acertei! Viva Al Gore! A partir daí, a coisa variou entre “que diabo é isso?” a “humm, isso me é familiar”. Foram várias as questões em que tive de usar o critério do “politicamente correto”: “reduzir as emissões de gases...”. É essa!, “incentivar a reciclagem..”, lá estava eu marcando um x, “replantar matas ciliares...”. Beleza! De fato, os temas da prova foram Energia e Aquecimento global, o que deu muita margem para a promoção da verdade inconveniente. Havia até um mapa do Brasil usando um suéter de bolinhas na página 29. Coisa cafona. Pelos gabaritos extraoficiais acertei só 34% das 45 primeiras questões! A coisa só melhorou para mim na questão 46. Daí até a 90, o Enem começou a falar um pouco mais da minha língua. Acertei 67%! As questões sobre ciências humanas, de fato, empregaram mais informações a que todo cidadão crítico e leitor de jornais tem acesso e menos dados decorados de livro didático. Mas a prova é longa. Mesmo tendo de chutar algumas questões - tá bom, muitas, afinal, o que é mais politicamente correto: criar parques ecológicos ou controlar a erosão? - levei três horas para terminar e mais uns vinte minutos para passar as respostas para o gabarito – é que preenchi “tótalmente”, como mandou o Wagner Moura. No restante do tempo, rascunhei este texto e tentei não rir de um vizinho da escola que cantava com uma voz de falsete muito engraçada. Afinal, o Enem já é só raciocínio e uso do conhecimento consolidado? Não. Ainda há uma cobrança grande de terminologias técnicas, nomes próprios e datas. Mas a maioria das questões pode sim, ser resolvida com informação, raciocínio e bom senso. A questão 19 (prova azul), por exemplo, que pede o cálculo da potência total das lâmpadas a serem instaladas numa casa, é uma das mais bem elaboradas e polivalentes que já vi. Exige leitura de gráficos e diagramas, matemática e física básicas e nada de fórmulas ou palavrões técnicos. A questão 19 é a essência do que o Enem pode vir a ser quando tiver rompido totalmente com paradigmas da velha escola. Recomendações: para a redação, pensem em alternativas que incluam uso sustentável da energia. Ah, não preencham nada sem a permissão do aplicador e não esqueçam a chave do carro no banheiro. Amanhã tem mais.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 21h07
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Redação do Enem: possibilidades A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sempre aborda algum tema social. O texto solicitado ao candidato irá pedir que se apontem sugestões para resolver um determinado problema. Não é difícil fazer uma lista de possíveis assuntos: Preconceito, Meio ambiente, Corrupção, Política... Isso não importa muito, pois o raciocínio para o desenvolvimento do texto será sempre o mesmo. Todos os problemas que afligem a vida em sociedade têm em sua origem fissuras no pacto social. Ou seja, se somos preconceituosos, se desrespeitamos leis, se não sabemos conviver, o motivo é que não entendemos que o pressuposto para viver em paz é o respeito - e não necessariamente aceitação - ao outro. A intolerância é fruto do medo daquilo que alguém julga ameaçar sua zona de conforto. Para se proteger, as pessoas se cercam de semelhantes: mesma cor, crença, hábitos... Em torno desses “semelhantes” é erguida uma muralha ideológica. Esse conjunto de ideias é disseminado por grupos religiosos, econômicos, políticos, por exemplo. E tudo está interligado. Não há como viver em paz se uma parcela da sociedade é excluída. É de pequenos e cotidianos ataques às minorias que são feitos os grandes atos de violência que perturbam todos. Os problemas sociais que nos afligem, portanto, estão ligados aos valores que defendemos: consumismo desenfreado, busca por um padrão de felicidade artificial... E esses valores estão escorados em ideologias excludentes. Muitos defendem que homossexuais não merecem direitos como adoção de crianças ou casamento porque a igreja é contra. Negros e mulheres já foram segregados por esse mesmo motivo: Deus quer, não é moral, não é normal, não é natural. Outros passam a vida toda esperando o príncipe encantado porque a novela das oito disse que a única forma de ser feliz é através do acasalamento com a “alma gêmea”. Há ainda os que não fazem nada para barrar a corrupção porque acreditam que só políticos sejam corruptos... Isso sem falar nos que só defendem o meio ambiente porque isso é moda e não porque de fato se importem com as gerações futuras. Típico de uma sociedade que chama pessoas idosas de “melhor idade”. Mudança semântica ou cosmética que não altera o pensamento e as ação das pessoas. Seja qual for o tema da redação do Enem nesse final de semana, um texto criativo passa pelo questionamento dos valores e das ideologias que sustentam nossa visão de mundo. Mas como mudar esse estado de coisa? Através da melhoria no sistema educacional, da construção de uma escola que não se justifique apenas com base no mercado de trabalho, mas na formação de cidadãos críticos. Uma escola que influencia as famílias a educarem seus filhos para que sejam tolerantes com o diferente ou com aquilo que não entendem. Fora desse raciocínio, o candidato ficaria apenas patinando em clichês e na repetição de palavras de ordem do tipo “é preciso conscientizar...” Alguns possíveis temas para a redação do Enem Muro de Berlim - É possível a discussão não especificamente sobre a questão da guerra fria. Mas sobre os muros que ainda existem: físicos ou não. Aqueles que separam pobres e ricos, católicos e evangélicos, brancos e negros, heterossexuais e homossexuais... Sobre isso vale a pena ler o artigo da professora Flávia Amaral, publicado na edição de novembro do Jornal Nós do Cefet-MG de Divinópolis. Intolerâncias - Quanto à questão dos negros e gays, vale a pena dar uma olhada no Estatuto da Igualdade Racial e no Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT. Esse material pode ser encontrado através do Google. Sobre a Aids também não faltam fontes. Mas lembre-se: ninguém é obrigado a gostar ou aceitar nada. Mas todos temos de respeitar leis para que se viva em harmonia. Por isso entidades de negros e gays, por exemplo, lutam para aprovar leis que tipificam crimes como racismo ou homofobia. Aparência - Em um tempo em que quase todas as mulheres se apresentam como “modelo e atriz”, a busca desenfreada pela beleza física é um tema interessante. Mais uma vez a chave para a discussão está na questão dos valores cultuados hoje em nosso meio. Embora se viva um tempo de discurso pela inclusão, a mídia ainda dá muito mais espaço aos rostinhos bonitos e aos corpos marombados. Meio ambiente - A não ser que a prova dê espaço para o questionamento do real tamanho do problema (veja matéria na Época desta semana que questiona os dados sobre o aumento da temperatura na Terra), não há muito o que se acrescentar a esse tema.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 21h45
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E não foi o meio ambiente Há males que vêm para o bem. O vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que seria realizado neste final de semana, rendeu aos estudantes um ótimo simulado e mais tempo para estudar. Uma boa surpresa da prova é a proposta de redação. Não apenas pelo fato de se ter resistido à tentação de se pedirem mais textos sobre desmatamento, efeito estufa e coisas do tipo. Mas pela clareza e objetividade do enunciado. O tema é “Valorização dos idosos”, o que por si já orienta o candidato para que proponha ações que promovam essa valorização. E isso é tudo, já que os textos de estímulo apenas redundam em reforçar o que é fato: é preciso respeitar os mais idosos, claro. Não é meio ambiente mas... É como se fosse. O risco que se corre nesse tipo de texto politicamente correto é o de apenas se repisarem clichês, ficar andando em círculos e não se chegar a lugar algum. Por isso, o ideal é, antes de começar a escrever de fato, fazer uma lista de ações que vão além do velho “é preciso conscientizar”. Tentei fazer o texto, como vocês podem ler a seguir. Minha estratégia foi... Ah, é melhor que vocês tentem perceber isso, o que é um bom exercício. Não pus título, uma vez que isso não foi solicitado: O desrespeito aos idosos é reflexo dos valores defendidos por uma sociedade que busca freneticamente o novo: o último modelo, o lançamento, o top de linha... A mesma filosofia consumista e utilitária que nos compele a trocar de celular a cada novo lançamento, também nos ensina que aquilo que é velho é descartável. A luta contra essa ideologia não é fácil. Mas toda vitória começa com uma boa estratégia. E a mais sensata nesse caso parece ser traçar uma ação baseada em três frentes: mídia, escola e família. É preciso combater a idolatria ao “modo de vida jovem” promovida pela mídia. Nas novelas de TV, por exemplo, é cada vez mais difícil distinguir a vovó da netinha. O idoso é quase sempre representado por atores “conservados”, não raro, a vigorosos golpes de bisturi e picadas de botox. Antigos clichês disseminados pela mídia têm de ser refutados a todo custo. Associar o conceito de vida saudável apenas a corpos sarados e a formas de lazer tipicamente adolescentes é um erro. É preciso um amplo trabalho de conscientização de que não é certo vender a ideia de que idoso saudável é aquele “moderninho” que surfa, faz malhação e fala gírias. A presença de idosos “reais” na mídia, inclusive com seus conflitos, suas rugas e doenças típicas é um passo gigantesco para mudar a percepção acerca da terceira idade. A escola também pode e deve colaborar. Apenas o uso de termos politicamente corretos, como a substituição de "velhice" por “melhor idade” não resolve, só mascara o problema. A escola brasileira precisa dedicar mais espaço para reverenciar a experiência dos idosos. Promover o contato entre os estudantes e os mais velhos é uma forma de se fazer isso. Mas para isso é preciso rever os conteúdos programáticos e até o material didático, que quase sempre reforça estereótipos como o da relação direta entre felicidade e juventude. O discurso de valorização do idoso cai por terra em um ambiente que acha natural associar tecnologia, agilidade e modernidade à figura do jovem. Bobagem. A mais moderna invenção é, claro, fruto da experiência acumulada de várias gerações. Mas é na família que o resgate do respeito ao idoso tem de fincar fortemente suas raízes. É preciso que os pais demonstrem aos filhos que os mais velhos são membros ativos do clã e não alguém encostado na casa do filho ou da nora. A simples ideia de que alguém possa não ser mais produtivo porque não atua no mercado de trabalho é preconceituosa. As crianças devem ser estimuladas a ouvir os mais velhos. Se o poder público incentiva a leitura de livros, por que não estimular as pessoas a dedicarem um tempinho para ouvir as histórias dos “vovôs” e “vovós”. Isso não é leitura? Não se muda do dia para a noite a mentalidade de uma sociedade que assimilou a estranha ideia de que só se é feliz quando se é “jovem”. Durante décadas gerações aceitaram como verdadeira a máxima de que o Brasil é o país do futuro, expressão que parece desmerecer a força das mais velhos. Mas seja pelo aumento dessa parcela da população, seja por meio de campanhas de conscientização, a sociedade começa a perceber que o futuro se faz no presente com a audácia dos mais novos e a experiência dos mais vividos.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 23h24
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Divinópolis tem o 12º maior PIB de Minas
O IBGE divulgou hoje os números do produto interno bruto (PIB) dos municípios brasileiros. Os dados são de 2005, e colocam Divinópolis em 12º lugar no estado de Minas Gerais, com um PIB de cerca de 2,1 bilhões. A cidade já chegou a ser a 5ª colocada, na década de 1990. O PIB é a soma de toda a riqueza produzida em uma determinada região e é medido em números absolutos e per capita, ou seja, sua divisão pelo número de habitantes da região.
Minas tinha em 2005 um PIB de 192,6 bilhões de reais. Quanto aos municípios, Belo Horizonte aparece em primeiro lugar (28 bilhões), seguida de Betim (14 bilhões), Contagem (9,5 bilhões), Uberlândia (9,1 bilhões) e Juiz de Fora (5 bilhões), em quinto. Mas quando o que se analisa é a renda per capita, Minas tem o primeiro e o segundo lugares do Brasil. Cascalho Rico (MG) tem o maior PIB por habitante do pais: 289.838 reais. Araporã (MG) vem em segundo: se a riqueza da cidade fosse dividida pelos habitantes, cada um teria 223.023 reais. Para se ter uma idéia do que isso representa, o PIB per capita de Minas é de 10.012 reais; o de Belo Horizonte, 11.951 e o de Divinópolis, 10.324 reais.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 12h21
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Cefet-MG divulga aprovados no vestibular
Está disponível a lista dos aprovados no vestibular para o ensino superior do Cefet-MG. Para ver a relação apenas dos aprovados, clique AQUI. O site do Cefet também traz uma LISTA detalhada com notas. O campus de Divinópolis oferece três cursos técnicos e o novo superior de Engenharia Mecatrônica. A lista dos aprovados nos cursos técnicos também pode ser conferida em www.copeve.cefetmg.br/. As aulas começam em fevereiro, na sede provisória, no bairro Santo Antônio, mas ainda em 2008, a escola deve se mudar para o novo campus, no Belvedere. As obras já recomeçaram e a expectativa é que fiquem prontas por volta de julho.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 10h51
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NOTAS DO 4º BIMESTRE, CLIQUE AQUI
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 21h49
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Davi, na Venezuela e aqui
Ontem foi um domingo histórico. Esse 2 de dezembro ficará conhecido como o dia em que Davi, aquele que vence o gigante Golias com algumas pedrinhas, deu mostras de sua força no Brasil e na Venezuela.
No país vizinho, o Golias se chama Hugo Chávez e defende um tal de Socialismo do Século XXI, uma esquisitice que na prática é apenas um jogo de palavras. Ontem, os eleitores foram às urnas. Tinham apenas de dizer Sim ou Não a emendas constitucionais que, entre outras coisas, previam a reeleição indefinida, o fim da propriedade privada e a importante mudança de nome da capital Caracas para “Berço de Bolívar, o Libertador, e Rainha de Warairarepano”. Chávez tinha tanta certeza da vitória, que chegou a dizer que se perdesse, renunciaria. Mas não contava com a astúcia do Davi Venezuelano. Perdeu.
No Brasil, a batalha se deu nos gramados. Davi entrou em campo para derrotar o poderoso Corinthians. O time do presidente da República, da Globo, da maior torcida do país e até de Deus, que também é Fiel. A vitória do Corinthians representaria a anistia para uma organização criminosa, que além de roubar tempo na TV dos times não paulistas, promovia lavagem de dinheiro, suborno e gritos de guerra insuportáveis como “É nóis na fita”. Os mano também perderam.
Dia 2 de dezembro é uma data para ser festejada por muitos anos na América do Sul. É um daqueles momentos únicos que jamais se repetirão. O dia do Não. O dia em que, em uma exceção raríssima por estas bandas, a maioria venceu a minoria. É nóis na fita. É o socialismo do século XXI.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 08h13
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A qualidade de ensino melhorou?
No ano passado, quando os alunos obtiveram uma das piores médias de todos os tempos – 36,90 – no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a imprensa alardeou que a qualidade de ensino no país havia piorado. Pois bem, este ano, o Enem teve uma das melhores médias da história: 51,52. Milagre, a qualidade de ensino melhorou em apenas uma ano. Que nada. Na verdade, os resultados são manipulados com mudanças de estilo nas questões propostas. No exame de 2006, o tipo de prova foi totalmente desvirtuado. As questões cobraram muito mais memória do que raciocínio, do que inter-relações entre áreas de conhecimento.
Já a prova deste ano foi a mais facilitada desde a criação do exame. Embora mais bem elaborada do que a do ano passado, a avaliação se prendeu a temas mais objetivos. Outra vantagem da prova deste ano foi o tema de redação, em que se pediu para discutir o problema da tolerância com as diferenças em sociedade, um tema bastante difundido. O Enem é uma boa iniciativa. Mas deveria servir para o governo discutir o currículo das escolas e as metodologias de ensino. As disparidades de resultados entre regiões do país, entre redes de ensino, revelam que há desentendimento entre o que as escolas entendem que deva ser ensinado e como. É preciso que o MEC use o Enem para discutir currículo, métodos de ensino e preparação de professores.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 11h48
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Seleção para o PGTI terá
10,75 candidatos por vaga
O vestibular para os três cursos técnicos diurnos do Cefet de Divinópolis apresenta o maior número de candidatos por vaga entre os campi do interior de Minas. O curso de Planejamento e Gestão em Técnicas da Informática (PGTI) será o mais concorrido no processo seletivo para 2008. São 10,75 candidatos para cada vaga. Eletromecânica vem em segundo: 8,78. Em seguida aparece o curso de Vestuário, que terá 7,58 candidatos/vaga. Todos esses cursos são na modalidade integrada, em que o aluno também faz o ensino médio junto ao técnico.
A maior disputa nas outras unidades do Cefet no interior de Minas é verificada no curso de Informática Industrial, de Timóteo (7,8). Mas Divinópolis também tem o segundo curso menos procurado de todo o Cefet-MG, incluindo o da capital. É o PGTI noturno, que terá apenas 0,5 candidato disputando cada um das vagas. Performance pior é apresentada apenas pelo curso de Informática industrial noturno, de Leopoldina: 0,4.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 16h35
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Mecatrônica terá 8 candidatos por vaga
O primeiro curso superior do Cefet de Divinópolis ficou entre os três menos procurados do estado. Foram 8 inscritos para concorrer a cada vaga. Apenas Engenharia de Materiais (6,88) e Controle e Automação (4,97) tiveram menos procura. O curso com mais demanda foi Engenharia de Produção Civil, do campus de Belo Horizonte, que terá 20 candidatos disputando cada vaga.
Mecatrônica será o primeiro curso superior do Cefet-MG em Divinópolis e praticamente não teve divulgação. O vestibular para preenchimento das 36 vagas do curso acontece dias 24 e 25 de novembro. As aulas começam em fevereiro, na sede provisória da escola, no bairro Santo Antônio, em Divinópolis.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 14h56
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Apenas 5% acreditam em sede própria

Vista parcial das obras do novo campus do Cefet-MG de Divinópolis
Consulta feita com alunos do Cefet de Divinópolis mostra que 86% deles não acreditam que a sede própria da escola fique pronta no primeiro semestre de 2008. A direção do Cefet, que no início deste ano garantia que a obra ficaria pronta até dezembro de 2007, agora promete o novo campus até julho de 2008.
A obra está paralisada desde junho, segundo a direção, por problemas na escolha da construtora. A pesquisa estimulada fez a seguinte pergunta, através de formulário individual: “Você acredita que, como prometeu a direção da escola, a sede própria do Cefet-MG fique pronta no 1º semestre de 2008?”. Foram ouvidos 228 alunos, nos dias 7 e 8 de novembro; 5% responderam sim e 9% não souberam ou não quiseram responder. A escola tem cerca de 450 alunos.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 10h50
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PRIMAVERA – Vista da Avenida Primeiro de Junho, na tarde de hoje. As novas árvores, plantadas na década de 90, estão floridas como nunca. A idéia da Prefeitura de Divinópolis à época era trocar as insossas árvores do centro por espécies floridas. O projeto foi abandonado. Mas uma caminhada pela avenida mais importante da cidade dá uma mostra de como seria o centro se todas as árvores feiosas que ainda persistem tivessem sido trocadas.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 18h45
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Sede do Cefet fica pronta em 2008
O de Governador Valadares. O Ministério da Educação (MEC) informou na semana passada que vai implantar em Minas, em 2008, 12 novos Cefets. Em todo o país serão 159 campi da escola que, segundo o governo, vão ser implantados no ano que vem. Entre as unidades, está a de Governador Valadares, no leste do estado. A licitação da obra será em março. O MEC garante que tanto a construção da sede da escola de Valadares quanto a contratação de professores levarão apenas oito meses e a escola poderá funcionar a partir de 2009. Ao todo, o governo pretende gastar 700 milhões de reais na implantação dos novos Cefets.
A deputada Elisa Costa (PT), que tem base eleitoral na região de Governador Valadares, diz que a cidade conseguiu a obra porque “sensibilizou o presidente Lula”. “O governo Lula foi sensibilizado pela campanha pró-Cefet que temos realizado. A implantação do Cefet em Valadares é uma luta que envolve diversos setores como a Associação Comercial, Fiemg, Lojas Maçônicas, Prefeitura, OAB, CDL, Sindicato Rural, movimentos sociais, deputado Leonardo Monteiro e partidos políticos, desde 2005 e agora vamos começar a colher os frutos dessa luta para que nossa juventude tenha acesso à educação profissional e superior a partir de 2009”, comemora a deputada em entrevista a jornais.
O Cefet de Divinópolis funciona em prédio alugado desde 1996. As obras da sede própria, que começaram depois de onze anos de reivindicação, estão paradas desde junho. Na licitação realizada no início de outubro, não apareceram construtoras interessadas. Talvez fosse o caso de contratar a assessoria da deputada Elisa Costa, com seu poder de sensibilização.
Escrito por Luiz Carlos Gonçalves às 19h49
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